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sábado, 16 de janeiro de 2010

Air France



Coliseu. Passagem por três seguranças até entrar no recinto. Calor, muito. Lá dentro, casais aos beijos, sonsos de máquina fotográfica em punho, hipsters até onde a vista alcança. Há um leve cheiro a ganza, mas essa é omnipresente em tudo o que é concerto. As luzes fariam Ian Curtis virar as tripas do avesso.

Entra em cena George Pringle. Não se deixem enganar pelo nome: é uma mulher. Fodível. Eu pelo menos ia lá. Único equipamento, um Mac e o micro. Não precisa de mais: beats meio synthpop como pano de fundo, conta histórias, prosas absolutamente nonsense. O público estranha: mas não entranha, e nota-se. Estariam à espera de uma qualquer Robyn ou Róisín, mas calhou-lhes uma poetisa. Ainda se abanaram umas ancas e ouviram-se aplausos no final de cada tema, o que se justifica da seguinte maneira: a tipa é boa. Tivesse outro nome e fosse abrir o concerto de outra banda, teria acontecido algo diferente. Mas também o público é diferente hoje (para melhor). Ressalva-se deste mini-concerto(?) uma homenagem sentida aos LCD Soundsystem.

Passados alguns ajustes no som, vêm Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, mais conhecidos como Air, mais conhecidos como aqueles-tipos-da-sexy-boy, vestidos de branco da cabeça aos pés, algo que o Mika (ou um sósia perfeito), à minha frente, parece ter adorado. Começam pelos temas de Love 2, álbum editado no ano passado. Do The Joy. So Light Is Her Footfall, linda. A primeira grande euforia chega com Cherry Blossom Girl , de Talkie Walkie, 2004. Por esta altura já toda a gente se rendeu à classe dos senhores: não há uma nota fora do sítio, há o tradicional "obrigado" em vocoder-friendly. Não houve Playground Love, mas houve Highschool Lover. Não houve All I Need, houve Kelly Watch The Stars versão headbang. E houve encore, e houve orgasmo para 90% do público, sobre o qual não havia dúvida: só tinham ido ver Sexy Boy ao vivo. E a dupla não desiludiu.

Para terminar: juro pelo Deus em que não acredito que o próximo filho da puta que me arruinar a vista do palco com a merda do telemóvel a filmar vai para casa com ele enfiado no




(não arruinemos uma banda de bem com frases ordinárias, por favor)