domingo, 5 de setembro de 2010

Meu Deus, é como se fosse 2007 outra vez



Escrevem-se estas linhas ao mesmo tempo que Half Light I ressoa nos Sennheiser; é correcto falar de um regresso à boa forma quando os Arcade Fire nunca a perderam? The Suburbs segue a mesma linha da canção pop épica e do malhão rock and roll à la Springsteen (Month Of May, tal como Keep The Car Running, vai encontrar o seu lugar em setlists d'O Boss). Venha rapidamente o 18 de Novembro para que a certeza caia sobre mais cabeças: melhor banda da década 00.

Igualmente épico é o tema que tem soado um pouco por todo o lado onde se passa música decente: ou não fosse aquele crescendo uma delícia. Falamos de Caribou e da sua Sun, séria candidata a canção do ano - e, se quiserem, os fanáticos, tal como os portistas, já podem encomendar as faixas. Canadá, líder mundial na produção de ouro desde 1896.

Do Canadá para NY, a banda que terá introduzido muito boa gente a esse blanket term que é o pós-punk; os Interpol estão prestes a lançar o seu quarto disco, desta feita homónimo, e quem já o sacou ouviu tem isto para dizer: continuam excelentes. Sim: eu gostei de Our Love To Admire e da Heinrich Maneuver. O próximo tema a aparecer nos Morangos chama-se Lights e já deverá circular por aí, eu é que tenho preguiça de ir ao youtube. Único ponto fraco a reter: a incursão pelo espanhol em The Undoing, tema que encerra o disco. WTF, Pauly?



E porque sou um arrogante de merda com falta de atenção, toca a ir ler esta coisa. Danke!

domingo, 15 de agosto de 2010

Crónica de uma Revolta Adolescente



Um tempo houve em que aquilo que eu ouvia se construía à base do ruído. Nomeadamente Black Metal, que é ruído para meninos. Mas foi a partir daí que eu fui descobrindo outras coisas mais abrasivas e estranhas aos ouvidos dos meus amigos que só ouvem Tiesto. Entre essas coisas abrasivas contavam-se, à altura, os Atari Teenage Riot - até porque o anarquista infantil que havia em mim achava muita graça a todo aquele choque anti-sociedade vigente e morte aos nazos e etc. Ainda acho graça a isso tudo. É por isso que não posso deixar de ficar tristemente enraivecido com a notícia de que Alec Empire e restantes vão estar de regresso a Portugal, mas ao Porto. Ora, para quem mora a 300km e não tem sequer carta de condução, isto não pode ser uma boa notícia. Nunca.

Quem é da maravilhosa cidade invicta com o maravilhoso clube azul que por lá habita vai ter a oportunidade de a 17 de Setembro (tão em cima, tão em cima... podia ter-se feito um pézinho de meia) constatar se após todos estes anos os ATR continuam a espalhar a violência. Para quem não conhece, shame on you; peguem imediatamente em Delete Yourself!, de 1995, e deliciem-se, façam mosh ao gato, partam vidraças de bancos. Para quem conhece através do Velocidade Furiosa, estimo que se fodam (é um filme bom para passar o tempo. Mas há que ter aquele cuidado hipster em não querer que a malta dos ailerons começe a ouvir ATR no seu Punto xunado).

Encare-se com tranquilidade que no tempo áureo dos ATR, o futuro era negro, distópico, e o drum n bass ia salvar o mundo; chegamos a 2010 sem que nada disso tenha acontecido (nem distopia, nem utopia - o mesmo marasmo). Por isso calha bem esta reunião; nostálgica q.b., politicamente relevante ainda. O confronto generacional perde o sentido quando somos atingidos pelos cacos que o molotov Revolution Action espalhou pela calçada. Thrash metal com drum machines, urgência punk-anarquista em querer destruir e reutilizar, Nic Endo gostosa. Awesome, ou Awesome?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

The Summer Of Our Thank God, I'm Glad That Joke's Over



E pronto; chegamos ao fim da série Festivais de Verão 2010. Houve lágrimas, houve raiva, houve falhas incríveis (Milhões de Festa, Oeiras Sounds), houve falta de feedback porque vocês são todos uns maricas que não deixam comentários. Mas como somos teimosos e oh, so bored, façamos uma pausa na audição deste fantástico best-of da Nancy Sinatra para provar que o melhor fica sempre para o fim: o festival dos betos está do caraças este ano.

QUINTA-FEIRA, 05/08

Depois dos 2 Many DJs abrirem as hostes na Quarta em formato DJ set, damos por nós no primeiro e, provavelmente, melhor dia do festival: seja pela rebeldia adolescente de M.I.A. (prestes a tornar-se tão irrelevante politicamente como os RAtM [calma GuêPê]), pela experiência alucinatória transcendental que deverá ser um concerto dos Flaming Lips ou pelo sexo tornado música (ou o contrário?) nas mãos de Kruder & Dorfmeister. Mas é a trupe de Wayne Coyne que arrebata completamente todos os outros nomes, como é natural. Cá esperaremos os relatos de quem ouviu (se tocarem) Watching The Planets no meio do pó.

SEXTA-FEIRA, 05/08

2001 ligou e pediu aos Jamiroquai que não se perdessem para muito longe da linha temporal (ainda que Love Foolosophy seja prazer culpado e continue a soar tão bem como no 9º ano). Há duas mulheres bonitas (Lykke Li e Colbie Caillat), um gajo feio (James Morrison) e um super-grupo que realmente faz por sê-lo: Orelha Negra, a.k.a. o disco português do ano so far. Estás perdoado, Sam. Sempre gostei da Poetas de Karaoke. A estrela maior da constelação chama-se Joshua Davis e vocês provavelmente conhecê-lo-ão do excelente Endtroducing.... que já esteve à venda por 4€ no Jumbo. Há que amar os saldos.

SÁBADO, 06/08

A voz irritante do Mika junta-se à voz irritante das Sugababes que se juntam à voz irritante do Tim que se junta à pop irritante dos Friendly Fires para fazer da Zambujeira o local mais irritante do ano durante 24h. Sim, mais irritante que um Centro de Saúde Alverquense. Aqui não há idosos, mas há hipsters betos. (São todos. Lol.) Dia mais fraco de um cartaz de outro modo coerente.


DOMINGO, 07/08

Como forma de despedida de quatro dias perdidos no deserto alentejano, acharam por bem partir os corações a centenas de pessoas por esse Portugal fora que não poderão estar presentes por compromissos vários e levar Beirut e a sua orquestra de Gulag para encerrar o festival. Ainda não engulo o cancelamento do Coliseu. Foda-se ;_;. Depois há Air (também já moram cá), Massive Attack (idem aspas) e um regresso rápido de Mike Patton para interpretar canções italianas dos anos 50/60 (e, sabem que mais? É surpreendentemente bom.

Eis o melhor Sudoeste dos últimos anos. Será para manter a tendência, ou é só uma pequenina fugacidade como o foi o SBSR de 2007? Só o próximo ano o dirá. Para já, é fazer malas quem puder e curtir milhões na costa.

Ou então ir ao Boom. ÁCIDOS, FUCK YEAH

segunda-feira, 26 de julho de 2010

The Summer Of Our... Ah, Fuck It



Salva-se Caribou, Tallest Man On Earth, Vivian Girls. Aparentemente Best Coast também é giro.

De resto, os meninos que vão para aqui para dizerem que são bué alternativos e etc. deviam ter ido ao Milhões de Festa.

'nuff said.

A sério, não me podem pedir um texto maior quando se vê a desilusão que é este cartaz de Coura.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

The Summer Of Our Drunken Haze: Super Bock Super Rock



Tenho uma certa afinidade com o SBSR. Afinal de contas, a edição de 2007 foi o meu apadrinhamento nesta coisa dos concertos e festivais. Antes disso ficava em casa a espremer borbulhas. Hoje continuo a espremer borbulhas, mas menos - um pouco de sol faz muito bem à pele.

SEXTA-FEIRA, 16/07

Porque estamos numa época em que a moda dos anos 80 volta a estar em voga (cortesia hipster), o cabeça de cartaz só poderia ser uma banda que nunca de lá devia ter saído estou a brincar, naturalmente. Os Pet Shop Boys já não são relevantes, mas que interessa? Isto continua a ser estupidamente bom e a merecer um lugar na lista de covers que a princípio estranhamos e depois devoramos com prazer culpado. Como as gajas e os chocolates. Outros destaques: Grizzly Bear (depois de dois concertos esgotados), Beach House (depois de um concerto fenomenal) e Cut Copy. Ou St. Vincent se forem buéda indies. Nunca ouvi.

SÁBADO, 17/07

Open Up é, por mais voltas que se dêem, o cartão de visita dos Leftfield. Com justiça; muito se dançou ao som disto na infância. Eu, pelo menos. Os Vampire Weekend continuam betinhos e bonitinhos - e a fazer coisas como Cousins e Diplomat's Son. Um dos melhores de 2010, até agora. Ainda: Hot Chip (Over and Oveeeer), Casablancas menos Strokes, Patrick Watson e Holly Miranda.

DOMINGO, 18/07

Os Empire Of The Sun soam como se alguém tivesse engolido os MGMT, ficado mal-disposto e vomitasse de seguida, para dentro da boca de alguém que vomitaria ela mesma para a boca de outra e assim sucessivamente até sair em formato CD. Ou seja: são o swap.avi da música pop. (Não pesquisem este ficheiro. Foram avisados.) Os National vieram passar uns dias à sua casa de férias, como referido anteriormente. Claro que o destaque maior vai para Prince; a princípio ainda pensamos que não merece a pena, que a Purple Rain e a Kiss são as únicas decentes, etc., mas reflictam nisto: tudo o que ele faz é bom. Tudo.

Em termos de cartaz e localização (a sério, dudes? Sesimbra?) parecem estar reunidas as condições para que o SBSR seja o Paredes de Coura do sul. Só falta acorrerem-lhe os estudantes com flanelas e óculos de massa e florzinhas na cabeça. Já estou como a minha mãe em relação ao disco: tudo merda. Só que disco é awesome e a pop alternativa de hoje também. Oh, deuses da moda e da música, can't we all just get along?

domingo, 11 de julho de 2010

The Summer Of Our «Oh Mama, I Wanna Go Surfing»



Isto podia ser uma piada sobre os seios da Pamela Anderson, mas decidi optar pela via pós-modernista e fazer uma piada sobre uma piada. Claro que os seios da Pamela Anderson já são uma piada em si e não estamos em 1996. Velhos tempos, TVI. Velhos tempos.

QUINTA-FEIRA, 15/07

Goldfrapp está morta e enterrada. Nem o glamour à la Blondie de Rocket salva a tragédia que é Head First. Morcheeba é meh. Os Löbo têm um baterista gordo. Isto é claramente uma vantagem.

SEXTA-FEIRA, 16/07

Os Placebo estão mortos e enterrados, e nem o... bem, não há mesmo nenhum single decente em Battle For The Sun. Peaches arranjou uma casa cá, ao que parece no mesmo bairro dos Nouvelle Vague e dos National (os Beach House seguem-se-lhe dentro de momentos). Nunca ouvi nada a solo do David Fonseca. Juro.

SÁBADO, 17/07

Ben Harper est... bem, talvez quebre o padrão. Não se pode dizer o mesmo dos Editors. dEUS é dEUS e dEUS continuará (também já compraram uma vivenda). Ainda assim o Marés Vivas não foge à ideia de que é o Rock In Rio dos pobres que ouvem a Comercial. Oh well.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

The Summer Of Our Sunburn: Alive



Temperaturas previstas de +30º. Que tempo tão bom para aqueles que não passam o dia encafuados numa loja sem ar condicionado; assim podem ir suar-se para junto dos camaradas que preferem passar horas sentados no alcatrão a ferver só para poderem mencioná-lo em Facebooks e afins em vez de irem à praia. Sou uma dessas pessoas. A minha auto-estima é miserável.

QUINTA-FEIRA, 08/07

É mais que certo que se vá passar a maior parte do tempo no palco alternativo (a não ser aqueles que gostam demasiado dos anos 90 para os deixar morrer, e esses só lá estão pelos AiC). Antes do sol se pôr, o maior destaque vai para os The Drums, que até ver lançaram na música um dos mais potentes singlesvírus de verão deste ano (e do passado). E porque é verão e as pessoas se amam mais, Devendra Banhart também regressa para falar de coisas bonitas na mesma altura em que os Moonspell estiverem no principal a falar de coisas putrefactas. A reter ainda três dos hypes mais importantes da história recente: Florence, La Roux (5€ em como ainda cancela outra vez, pelo lulz) e o orgasmo indie dos The XX. Como prato principal o fantástico Mike Patton e os "seus" Faith No More, dos quais se espera que façam por rejeitar o rótulo de velhos que se reuniram pelo €.

SEXTA-FEIRA, 09/07

Seria estranho dizer, de um dia de festival, que a melhor banda aqui posicionada é portuguesa - não fosse o facto de a banda em questão serem os Mão Morta. Que são a melhor banda do mundo. Mas estou a ser injusto para com os Manic Street Preachers, que é tipo RAtM, mas para pessoas inteligentes (estou a brincar, GuêPêzinho). Um cabeça-de-cartaz do tempo do nu-metal é motivo para que os pêlos do cú se eriçem de medo, mas como são os Deftones, a.k.a. um diamante perdido no meio da merda, cujo último disco é inclusive bastante bom, nós ganhamos coragem. Para quem gosta de BBWs, Gossip no alternativo. Enjoy your lard.

SÁBADO, 09/07

OMG PEARL JAM !!!!!!!!11111ONEONEONE. Os Pearl Jam são para mim como o arroz de ervilhas: não os aprecio particularmente. Mas pronto, soltem as flanelas. Eu também gostava muito da MTV e do Ren & Stimpy na SIC aos Sábados. O destaque é, obviamente, para o projecto que definiu a década de dança - Mr. James Murphy e os LCD Som Sistema. Dropkick Murphys e Gogol Bordello completam um palco cheio de luz e cor. Há o interesse no palco alternativo de ver Girls - porque a Hellhole Ratrace é, ipso facto, uma canção lindona. Menção honrosa para os Simian Mobile Disco, porque eu não me esqueço das vezes que rodei o Attack Decay Sustain Release.

Não digam a ninguém: mas tem havido esporadicamente naquele estabelecimento que me paga o salário bilhetes para o dia 10 e passes de três dias devolvidos. Claro que como ninguém lê este blog, os putos que andam na net a chorar irão continuar a chorar. É o que dá não lerem blogs. HA HA!