domingo, 11 de julho de 2010

The Summer Of Our «Oh Mama, I Wanna Go Surfing»



Isto podia ser uma piada sobre os seios da Pamela Anderson, mas decidi optar pela via pós-modernista e fazer uma piada sobre uma piada. Claro que os seios da Pamela Anderson já são uma piada em si e não estamos em 1996. Velhos tempos, TVI. Velhos tempos.

QUINTA-FEIRA, 15/07

Goldfrapp está morta e enterrada. Nem o glamour à la Blondie de Rocket salva a tragédia que é Head First. Morcheeba é meh. Os Löbo têm um baterista gordo. Isto é claramente uma vantagem.

SEXTA-FEIRA, 16/07

Os Placebo estão mortos e enterrados, e nem o... bem, não há mesmo nenhum single decente em Battle For The Sun. Peaches arranjou uma casa cá, ao que parece no mesmo bairro dos Nouvelle Vague e dos National (os Beach House seguem-se-lhe dentro de momentos). Nunca ouvi nada a solo do David Fonseca. Juro.

SÁBADO, 17/07

Ben Harper est... bem, talvez quebre o padrão. Não se pode dizer o mesmo dos Editors. dEUS é dEUS e dEUS continuará (também já compraram uma vivenda). Ainda assim o Marés Vivas não foge à ideia de que é o Rock In Rio dos pobres que ouvem a Comercial. Oh well.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

The Summer Of Our Sunburn: Alive



Temperaturas previstas de +30º. Que tempo tão bom para aqueles que não passam o dia encafuados numa loja sem ar condicionado; assim podem ir suar-se para junto dos camaradas que preferem passar horas sentados no alcatrão a ferver só para poderem mencioná-lo em Facebooks e afins em vez de irem à praia. Sou uma dessas pessoas. A minha auto-estima é miserável.

QUINTA-FEIRA, 08/07

É mais que certo que se vá passar a maior parte do tempo no palco alternativo (a não ser aqueles que gostam demasiado dos anos 90 para os deixar morrer, e esses só lá estão pelos AiC). Antes do sol se pôr, o maior destaque vai para os The Drums, que até ver lançaram na música um dos mais potentes singlesvírus de verão deste ano (e do passado). E porque é verão e as pessoas se amam mais, Devendra Banhart também regressa para falar de coisas bonitas na mesma altura em que os Moonspell estiverem no principal a falar de coisas putrefactas. A reter ainda três dos hypes mais importantes da história recente: Florence, La Roux (5€ em como ainda cancela outra vez, pelo lulz) e o orgasmo indie dos The XX. Como prato principal o fantástico Mike Patton e os "seus" Faith No More, dos quais se espera que façam por rejeitar o rótulo de velhos que se reuniram pelo €.

SEXTA-FEIRA, 09/07

Seria estranho dizer, de um dia de festival, que a melhor banda aqui posicionada é portuguesa - não fosse o facto de a banda em questão serem os Mão Morta. Que são a melhor banda do mundo. Mas estou a ser injusto para com os Manic Street Preachers, que é tipo RAtM, mas para pessoas inteligentes (estou a brincar, GuêPêzinho). Um cabeça-de-cartaz do tempo do nu-metal é motivo para que os pêlos do cú se eriçem de medo, mas como são os Deftones, a.k.a. um diamante perdido no meio da merda, cujo último disco é inclusive bastante bom, nós ganhamos coragem. Para quem gosta de BBWs, Gossip no alternativo. Enjoy your lard.

SÁBADO, 09/07

OMG PEARL JAM !!!!!!!!11111ONEONEONE. Os Pearl Jam são para mim como o arroz de ervilhas: não os aprecio particularmente. Mas pronto, soltem as flanelas. Eu também gostava muito da MTV e do Ren & Stimpy na SIC aos Sábados. O destaque é, obviamente, para o projecto que definiu a década de dança - Mr. James Murphy e os LCD Som Sistema. Dropkick Murphys e Gogol Bordello completam um palco cheio de luz e cor. Há o interesse no palco alternativo de ver Girls - porque a Hellhole Ratrace é, ipso facto, uma canção lindona. Menção honrosa para os Simian Mobile Disco, porque eu não me esqueço das vezes que rodei o Attack Decay Sustain Release.

Não digam a ninguém: mas tem havido esporadicamente naquele estabelecimento que me paga o salário bilhetes para o dia 10 e passes de três dias devolvidos. Claro que como ninguém lê este blog, os putos que andam na net a chorar irão continuar a chorar. É o que dá não lerem blogs. HA HA!

terça-feira, 29 de junho de 2010

The Summer Of Our Train Ride: Delta Tejo



O Delta Tejo surgiu porque os milhares de emigrantes brasileiros e africanos também precisavam de um festival de música. Tudo bem. Tanto uns como outros podem exibir com orgulho o facto de já terem produzido ao longo da história da música alguns dos mais interessantes géneros, sons e bandas (excluindo obviamente sertanejo e kizomba. Foda-se). Os três dias no Alto da Ajuda mostram um cartaz que puxa pela dança em nome da libertação.

SEXTA-FEIRA, 02/07

À excepção de Shaggy e Expensive Soul*, dia bom para roçar em boas bundas: Carlinhos Brown (funkyyyy), Nação Zumbi (funkyyyy), Nu Soul Family (fun-kay) e o colossal soundsystem dos Buraka. Se a oportunidade surgir há que acabar a noite a dançar freneticamente ao som de Restless. Melhor faixa de 2010, ou melhor faixa de 2010?

* Num dia bêbado, sou até capaz de admitir que têm bons instrumentais. Mas o resto, o resto, foda-se.

SÁBADO, 03/07

Heartbeat era uma música gira. Depois apareceu nos Morangos. Continuou gira, mas agora tem o estigma: apareceu nos Morangos. Deve ser por isto que já não sou tão fã de Interpol quanto era. Nneka junta-se à nova coqueluche do fado (Ana Moura) e aos envelhecid'Os Mutantes para formar o trio de interesse deste dia. Seria melhor se fôssemos abençoados por uma reconciliação entre Rita Lee e a sua antiga banda. Mais probabilidades têm os Smiths de se juntar. Ando a bater muito nesta tecla ultimamente, não tenho?

DOMINGO, 04/07

Continuo com vinis velhos do Martinho da Vila para vender. Mandem mail. Puto Prata vai estar em altura no último dia do festival, juntamente com Batida (Buraka sem a fama) e Cacique'97. Estes últimos andarão a espalhar magia com a fabulosa Dragão. Afrobeat português; só a ideia soa bem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

The Summer Of Our Rented Mercedes: CoolJazzFest



Se há festival que dá credibilidade V.I.P. a quem assiste, é este. Verdade que longe vão os tempos em que Cascais albergava concertos dos Can e de Miles Davis, mas note-se: uns acabaram, o outro morreu. Não que os nomes que lhes sucedem sejam piores de alguma forma - por exemplo e logo a abrir, a 1 de Julho, o concerto mais que esperado de Regina Spektor, que é também aquele com maior sexhipster-appeal. Bilhetes já esgotados para ouvir a voz e o piano da senhora.

Segue-se-lhe Chris Isaak, a.k.a. o tipo que canta aquela música buéda fixe THE WORLD IS ON FIIIRE NOTHING COULD SAVE BUT YOUUU. Mas é uma boa música. É uma grande música. É uma música nostálgica, das viagens de verão até aos lugares mais populosos do Algarve ou do Norte do país porque os papás só tinham uma única cassete em que o sr. Isaak surgia entre Michael Jackson e Milli Vanilli. Que belos tempos :'). A cinco de Julho.

13 de Julho; se a Oxigénio é música para respirar, Norah Jones é música para ignorar. Secas e aborrecidas, as canções da senhora vão com certeza levar a Cascais imensos fãs da rádio e tias que querem discutir o concerto com as amigas depois de uma sessão de cristaloterapia e Paulo Coelho. A evitar como o diabo da cruz para que não percamos a sanidade.

17 e 20 de Julho elevam a cena portuguesa, com actuações de António Pinho Vargas/Laurent Filipe/Groove4tet e da coqueluche do nacional-cançonetismo, os Deolinda do Movimento Perpétuo. Não me interpretem mal: até é giro. Mas cansa rapidamente. Para estranja ver.

22 de Julho seria o dia em que levaria a minha mãe, não fosse o facto de 1) ser um teenager bué rebelde e 2) ter o mínimo de gosto. Maria Bethânia. Bethâaaaania. Só o nome faz comichão nas narinas. Outro concerto para senhoras na menopausa.

Omara Portuondo a 23, Corinne Bailey Rae (guilty pleasure) a 24, Diana Krall a 25: tudo mulheres bonitas, tudo mulheres com voz. Com atenção especial para Omara, acompanhada da Orquestra (*gasp*) Buena Vista Social Club. Copo com rum e gelo numa mão, charuto cubano no outro: os comunistas estão certos, Cuba é awesome. Tenho um ódiozinho pela miss Krall - os discos dela não vendem e ocupam-me espaço na loja. Dass.

E finalmente (festival mais longo de sempre, hein?) dias 27, 28 e 29: Club des Beluges, Elvis Costello (óculos-de-massa-tástico) e Solomon Burke + Joss Stone; também conhecidos pelos três dias em que os homens não irão ter vergonha de dar um pulo a Cascais. Atenção maior para Costello. É bom e gosta de Suicide. Amor eterno.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

The Summer Of Our Discount Tent: Sumol Summer Fest



Ou, como reciclar piadas é sempre hilário. Sempre.

Não houve um dia em que não me fossem perguntar "vendem bilhetes para o summer fest"? Sim, vendemos. O problema: sendo verdade que a população hipster foge a sete pés mal sente o cheiro a reggae, o mesmo atrai colinas atrás de colinas de putos de catorze anos carregando no braço o imortal livro Festivais de Música Para Totós. Filas e filas de miúdas imberbes que de música só conhecem aquela música gira que passou nos Morangos e que é bué fixe e chill, tás a ver? Corpos atrás de corpos femininos por formar, enfurecidos de álcool e drogas leves, perdidos numa tenda no meio da Ericeira.

Meu Deus, o que eu não dava para lá estar.

O cartaz: tudo merda. Não adianta dissertar mais. Nenhum cartaz que ostente Gentleman à cabeça pode ser bom. Nem que antes toque o cadáver hirsuto de Sid Vicious. Ou que os Smiths se reúnam. E isto já é dizer muito. Demais, até.

Claro que se poderia dizer uma outra coisinha boa de Matisyahu. Mas isso não teria piada absolutamente nenhuma.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fuck Buddies



Sweet Love For Planet Earth veio apenas confirmar aquilo que já se sabia: os Fuck Buttons são a resposta ao programa SETI e vieram dos confins do universo para nos escravizarem a todos pela força da distorção e do beat 4/4. Quem achava impossível que dessem um concerto tão bom como o da ZDB no ano passado enganou-se tanto quanto Carlos Queiroz ao colocar Danny a titular; o ruído parece maior dentro da caverna do Lux, Andrew e Benjamin parecem menos tensos e infelizes e o público parece é mais pastilhado. Se pudéssemos inventar estilos diríamos que foi uma hora do melhor dance-noise desde que Masami Akita decidiu criar um bicho chamado Merzbeat. Mas é uma comparação injusta, ou mesmo absurda; centremo-nos antes na certeza de que o duo de Bristol é das coisas mais interessantes que surgiram do universo musical alternativo da década 00.

O alinhamento não foi muito diferente daquele de Setembro passado, com Surf Solar a abrir as hostilidades e os ouvidos de muito boa gente que se estreava nestas andanças do ruído. Tudo serve para o fabricar; Gameboys, karaokes da Fischer-Price, Casios do tamanho de uma unha do pé e um bombo ora militar ora tribal em que Benjamin batia à velocidade do E. Bright Tomorrow é um clássico com apenas dois anos de existência. Encore no final com a supra-mencionada Sweet Love..., perante um público meio atordoado e a sofrer de tinnitus que hoje aplaude o drone que produzem os Fuck Buttons e amanhã pedirá a proibição das vuvuzelas. Isto é rave século XXIII.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Saúde de Ferro



O Santiago Alquimista é um sítio giro. Para além de ter vista privilegiada sobre Lisboa e o rio omnipresente, o facto de se apresentar como bar traz uma certa nostalgia daqueles sítios onde um tipo ia beber uns copos e se a banda presente fosse boa éramos capazes de lhe prestar atenção (o Lux não conta, amiguinhos). Claro que só traz esta nostalgia para quem viveu esses tempos. Não é o meu caso. Mas esta introdução é porreira, hein?

A experiência sociológica que dá pelo nome de PAUS (aceitam-se piadas pornográfico-juvenis) quase que dá a entender que o fim dos Vicious Five não terá sido tão mau quanto o pintam. Mesmo que os teclados nos façam sentir coisas é naquele ser híbrido que dá pelo nome de bateria siamesa que se colocam todas as atenções - seja porque estamos sempre todos muito dispostos a apontar o que é diferente seja porque Joaquim e Hélio fazem dela uma experiência transcendental. Barulho ritmado, ou ritmo barulhento? A dúvida persistirá até alguém fizer a comparação com Lightning Bolt. Até lá só não são a banda mais barulhenta (isto é positivo) que já vi porque estive no Algarve em plena aparição de MBV.

Aos HEALTH (5€ em como só juntaram estas bandas por causa da paixão pelo Caps Lock) coube a honra de fechar a noite ruidosa com a sua espécie de shoegaze. Mas essa etiqueta só se aplica ao estilo - são bonitinhos, novinhos, olham demasiadas vezes para o chão, as meninas da audiência adoram (a única benção do hipsterismo: trazer a moda Lolita para concertos). Ao vivo aquilo que já é fodido em disco torna-se ainda mais fodido porque não há maneira de baixar o volume que brota das colunas. E se Crimewave, aquela que o pessoal só conhece por causa dos Crystal Castles, se apresenta com a mesma troada, é em We Are Water que a sala explode com tudo a cantar o refrão em uníssono. Aquilo que é etéreo no Shoegaze desaba sob as nossas cabeças como um meteoro. Se os Killing Joke eram o som da terra da vomitar, os HEALTH podem muito bem ser o céu - e o baixista foi um porreiro e assinou-me o disco. FANGASM